Dirija como uma mulher

Você sabia que em 2017, apenas 7% dos envolvidos em acidentes graves em SP eram mulheres? E dentre todas as indenizações pagas para condutores pela seguradora do DPVAT, em todo o território brasileiro, apenas 7% foram destinadas para elas, enquanto 42% para homens. É quase incomparável, não é? Então, por que continuamos ouvindo que “mulher ao volante, perigo constante”?

Claro que é importante lembrar: não há questões biológicas que apontem qual gênero tem um desempenho melhor na direção. Mas o fato é que, mesmo não sendo incentivadas a “brincar de carrinho” desde criança, as mulheres estão ocupando – com segurança – um universo majoritariamente masculino.
Por isso, diante de tantas barreiras, a gente sente muito orgulho da chegada delas no mercado de motoristas de aplicativo.

De uma oportunidade à adaptação

Se por um lado, é exigência de muitas passageiras que acreditam encontrar com mulheres ao volante um pouco mais de segurança e empatia. Do ponto de vista das motoristas, a profissão pode ser mais adaptável à rotina de casa.

Essa é a história da motorista Vilma Brogliato. Viúva, aos 56 anos, precisou ajudar a filha a criar o neto e encontrou aí uma oportunidade de renda. Mesmo com uma rotina bem apertada, com início às 5h20, ela montou uma estratégia para conciliar as viagens com as obrigações domésticas e segue com muita disciplina para não se sobrecarregar com a dupla jornada. Vilma foi uma das primeiras mulheres a trabalhar como motorista no aplicativo da 99 em São Paulo. Ela diz que demorou um pouco para os passageiros se acostumarem com uma condutora atrás do volante e escutava constantemente comentários machistas. Ainda bem que ela não desistiu. Hoje, quase três anos depois, conquistou bens para a família e comprou um carro do ano para proporcionar mais conforto aos seus passageiros. E aqueles comentários? Ela diz que não escuta mais.

Autonomia para elas

Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU é alcançar a igualdade de gênero e empoderar mulheres e meninas através do acesso à tecnologias de informação e comunicação. Ou seja, possuir um telefone móvel significa ter a sua independência e autonomia, principalmente para fins profissionais e produtivos.

Veja o caso da Cintia Tiemi, motorista de aplicativo da 99 há um ano, iniciou como um “bico” depois de se separar do marido. Mas o que era apenas uma ocupação para complementar a renda do escritório de advocacia e distrair a mente, se tornou um turno extra com um rendimento financeiro muito melhor. Para ela, as maiores vantagens da atividade são a flexibilidade de horário e a liberdade de escolher o dia que irá trabalhar, sem precisar avisar chefe ou bater ponto. Além de ter encontrado em grupos de mulheres motoristas, incentivo e apoio nos momentos de crise.

Um novo olhar

Ilustramos a rotina de algumas motoristas com histórias completamente diferentes, mas um único obstáculo em comum: o machismo. Pode ser que hoje você entre em um carro conduzido por uma mulher. Qual seria a sua primeira reação? Tente imaginar a sua história e quantas contrariedades ela precisa enfrentar apenas para trabalhar. Como podemos contribuir com o fortalecimento pessoal dela e ao mesmo tempo deixar o trânsito mais agradável?

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