BlackRocks: como uma aceleradora propõe criar um ecossistema de inclusão

#StartupDoMês

A população negra é a que mais abre negócios no Brasil. Ao mesmo tempo, é a que menos fatura.

De acordo com o estudo da Global Entrepreneurship Monitor 2017 (GEM), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), mesmo representando 51% dos empresários no país, os negros formam apenas 1% do grupo que ganha de R$ 60 mil a R$360 mil. E ainda correspondem à 60% dos empreendedores que não lucram nada.

Por mais que este universo de empreendedorismo possibilita soluções de impacto e até mesmo conexões que possam transformar as diferenças sociais, é fundamental trazer as classes inferiorizadas para o protagonismo dentro do mercado de negócios.  

Mas como podemos fazer isso inseridos em uma sociedade que subjuga e pré-determina o espaço em que os negros podem atuar?

Representatividade importa – em todos os processos

Foi a partir desta premissa que a Maitê Lourenço fundou o BlackRocks, caracterizado como “uma organização que está criando um ecossistema que estimula o empreendedorismo tecnológico e promove o crescimento econômico à população negra brasileira”.

Psicóloga e especialista em Neuropsicologia, com atuação em Gestão de Carreiras,  a sua trajetória como empreendedora tem base nesse sentimento de inquietação com o “sistema padronizado”.  

O start real surgiu durante os cursos de inovação em que ela participava para aprimorar o seu primeiro negócio, um e-commerce. Depois de alguns insights sobre essa percepção da pouca representatividade nas startups e como os talentos negros com potencial não são devidamente incentivados, Maitê entendeu que poderia provocar a mudança de dentro.

“Quando você tem alguém que se pareça com você te ensinando algo, a probabilidade de aprender é muito maior.”

Sobre lapidar talentos

O que o BlackRocks propõe é formar uma rede com a população negra e as empresas em três direções:

Branding Strategy: tanto em eventos próprios como em parceria com grandes empresas, a aceleradora realiza o processo de seleção, curadoria de conteúdo e a mentoria das iniciativas, direcionando para as áreas de tecnologia e negócios. Um dos projetos é o IdeiAção, um workshop de quatro semanas para empreendimentos com escalabilidade.

O  último, feito com o apoio do Facebook na Estação Hack, teve um engajamento de 98% de pessoas negras sendo 79% de mulheres.Maitê destaca que duas iniciativas já saíram de lá encaminhadas dentro do mercado. Além disso, em 2017, realizaram o Arena BlackRocks, um festival de 65 horas com conteúdo e inovação dedicado à cultura afro-brasileira.

Aceleração de Startups: Através de um programa, cinco empreendimentos são escolhidos para um processo de capacitação, com suporte de mentores especializados e acesso à investidores e parceiros estratégicos.

Segundo ela, este programa é diferenciado pois, ao invés de criarem os conteúdos para as iniciativas, eles encaminham o que já está pronto para os stakeholders dando total apoio para a validação.

Consulting – Desenvolvimento de Líderes referente às temáticas raciais: Voltado para as grandes empresas, em parceria com Mariana Macário, ex-líder de diversidade do Google, eles realizam consultorias promovendo debates internos paralelos às organizações, em suma falam sobre privilégios e a importância de desmistificar as discussões sobre relações raciais. De acordo com a CEO, já realizaram consultoria com a TW, Creditas, Microsoft e, em breve, com o Facebook.

Os frutos do BlackRocks

O BlackRocks já comprova os seus resultados em forma de startups, uma delas é a Inquímica, uma empresa que une pesquisa, tecnologia e qualidade para a limpeza dos alimentos, liderada pela Taynara Alves. E a InovaQA, CEO Diego Conrado, que tem como objetivo popularizar testes de softwares para pequenas e médias empresas por meio de um valor mais acessível e competitivo de mercado.

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